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Com “muvuca de sementes”, COB impulsiona Floresta Olímpica do Brasil, na Amazônia

Iniciativa de sustentabilidade do Comitê Olímpico do Brasil em parceria com o Instituto Mamirauá que está prestes a completar dois anos aplica técnica ancestral para recuperar áreas degradadas em comunidade ribeirinha de Tefé (AM)

Por Comitê Olímpico do Brasil

29 de abr, 2026 às 14:45 | 4 min de leitura

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Foto: Tácio Melo/ Instituto Mamirauá

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) avança na agenda de sustentabilidade com a Floresta Olímpica do Brasil, iniciativa que apoia a restauração de áreas degradadas na Amazônia há quase dois anos. Em parceria com o Instituto Mamirauá, o projeto tem adotado a “muvuca de sementes”, técnica que mistura diferentes espécies e as lança diretamente no solo para estimular a regeneração florestal. 

 

A ação acontece na Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, na Floresta Nacional de Tefé (Flona), a cerca de 30 km de Tefé (AM). O projeto, que integra ações de restauração ambiental junto a populações tradicionais tem previsão de seguir até 2030 com um total de 6.3 hectares restaurados (foram 4 hectares até o momento). 

 

“Nestes dois anos, a Floresta Olímpica do Brasil vem amadurecendo como projeto de restauração e fortalecimento comunitário. Com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, encontramos soluções adaptadas à Amazônia que unem ciência e tradição, provando que o esporte também pode inspirar sustentabilidade e impacto social”, disse Carolina Araujo, gerente de Cultura e Valores Olímpicos do COB, área que engloba as ações de sustentabilidade da entidade. 

 

Com coordenação do Instituto Mamirauá e apoio do COB, moradores da comunidade — de diferentes idades — foram capacitados para aplicar a técnica. Os treinamentos ocorreram em 2025 e marcaram o início do trabalho de campo. 

 

Desde janeiro de 2026, foram semeados cerca de 256 kg em 4 hectares. A mistura inclui espécies de crescimento rápido — como feijão de porco, feijão guandu, gergelim, crotalária, fedegoso e abóbora — que ajudam a cobrir o solo e acelerar a recuperação inicial. 

 

Há ainda espécies intermediárias, como embaúba, caju e urucum, e árvores de longo prazo, como jatobá, ipê-amarelo, açaí, angelim, bacuri e buriti. A diversidade busca reproduzir a dinâmica natural da floresta e fortalecer a resiliência da área restaurada. 

 

Para o analista de pesquisa e coordenador operacional da iniciativa, Jean Quadros, a muvuca se destaca por ser adaptada às condições amazônicas. “Para a realidade local, essa técnica é muito mais eficiente do que o plantio de mudas, pois o ambiente já oferece condições favoráveis à germinação. Com manejo adequado, as sementes se desenvolvem naturalmente”, afirma. 

 

Além da adaptação ao bioma, o método facilita a logística: sementes ocupam menos espaço, são mais simples de transportar e exigem menos insumos e mão de obra do que mudas, o que reduz custos e perdas no caminho. 

 

 

Restauração que gera alimento e renda 

Além de recuperar o solo, a restauração planejada no âmbito da Floresta Olímpica do Brasil aposta em espécies que podem gerar alimento e renda no futuro, fortalecendo a segurança alimentar e as oportunidades locais. 

 

Com a capacitação, a comunidade também passa a ter condições de replicar a muvuca em outras áreas degradadas, ampliando o alcance da iniciativa. 

 

“Me sinto honrado em participar diretamente desse projeto. A gente aprende a trabalhar de um jeito diferente com a natureza, sem destruir para tirar o sustento. Hoje sabemos que é possível plantar, manter a floresta em pé e ainda garantir renda para a comunidade”, afirma Silas Rodrigues, morador envolvido na iniciativa. 

 

 

Entenda a técnica aplicada em solo amazônico  

“Muvuca” remete à ideia de mistura. A semeadura de diferentes espécies ao mesmo tempo tem raízes em conhecimentos tradicionais, especialmente de povos indígenas, e hoje é combinada a critérios técnicos para acelerar a regeneração. 

 

Em áreas degradadas, o solo é preparado com manejo da vegetação como cobertura, e então recebe a mistura de sementes nativas, levemente coberta. Cada espécie germina no seu tempo, reproduzindo a dinâmica da floresta. 

 

Em comparação ao plantio por mudas, a muvuca reduz custos e simplifica a logística. As plantas tendem a criar raízes mais profundas e resistentes, contribuindo para formar uma floresta diversa e adaptada às condições amazônicas. 

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